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Santo Antônio das Missões recebe apoio da Força Nacional do SUS para reforçar a atenção em saúde mental após forte temporal
27/08/2026 15:24

Santo Antônio das Missões recebe apoio da Força Nacional do SUS para reforçar a atenção em saúde mental após forte temporal

Na manhã desta quinta-feira, 27 de agosto, a equipe da Força Nacional do SUS esteve no estúdio da Rádio Fronteira Missões, durante o programa Conversa Aberta, para detalhar o trabalho de apoio ao município. A mobilização visa auxiliar na organização e no atendimento voltado à saúde mental da população de Santo Antônio das Missões, afetada pelo severo temporal com granizo registrado no dia 27 de julho.

A ação responde ao impacto emocional causado pelo desastre na comunidade. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Lauro Boccacio, um levantamento inicial identificou 81 famílias que solicitaram apoio psicológico ou acompanhamento especializado na rede pública.

A iniciativa conta com a liderança da diretora do Departamento de Atenção Primária da Secretaria Estadual de Saúde do RS, Marilise Fraga de Souza, além de especialistas com vivência em cenários de emergência. A equipe técnica presente reúne Larissa Almeida, consultora técnica de saúde mental e atenção psicossocial da Força Nacional do SUS, e Iurqui Pinheiro, gestor da Base Regional Sul do órgão.

O objetivo da missão é atuar em conjunto com a gestão municipal, fortalecendo as equipes locais, avaliando as principais demandas da comunidade e estruturando estratégias conjuntas de acolhimento entre União, Estado e Município.

Identificação de sintomas e reações emocionais

Durante a participação no programa, a psicóloga Larissa Almeida explicou que eventos extremos alteram a rotina de forma abrupta, afetando a percepção de segurança dos indivíduos. Nas primeiras 72 horas após o evento, reações como choro, sensação de paralisia, insônia, dores de cabeça e estado de alerta constante são respostas consideradas esperadas.

Nas semanas subsequentes, também podem ser observadas alterações comportamentais em diferentes faixas etárias:

Crianças: Podem apresentar maior irritabilidade, choro frequente e busca por maior proximidade dos pais ou responsáveis.

Adultos: Podem registrar oscilações no apetite, medo, episódios de angústia e hipervigilância diante de estímulos que recordem o temporal.

Tais manifestações fazem parte do processo natural de assimilação do trauma, podendo persistir por cerca de 30 dias a três meses.

Orientações à população e momento de buscar atendimento

A recomendação das autoridades de saúde é observar a frequência, a intensidade e o impacto das reações emocionais nas atividades diárias. O atendimento especializado deve ser buscado caso a angústia permaneça contínua, impeça o cumprimento de tarefas de trabalho, comprometa os cuidados pessoais ou afete o convívio familiar.

A equipe orienta que a comunidade evite a automedicação e busque meios saudáveis de enfrentamento, como o fortalecimento do convívio comunitário, o diálogo com familiares e a manutenção de rotinas prévias. Recomenda-se também limitar a exposição contínua a notícias sensacionalistas sobre eventos climáticos, priorizando canais e veículos oficiais de informação.

Capacitação das equipes locais

Além dos atendimentos diretos, a missão contempla agendas de capacitação técnica para médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde do município. O treinamento visa aprimorar o diagnóstico precoce e a abordagem de demandas psicológicas decorrentes de desastres ambientais.

Segundo Iurqui Pinheiro, a consolidação da Base Regional Sul da Força Nacional do SUS busca exatamente garantir agilidade técnica e operacional aos municípios gaúchos frente à crescente frequência de eventos climáticos extremos. Moradores que identificarem dificuldades persistentes para retomar a rotina devem procurar a unidade de saúde mais próxima para orientação e acolhimento profissional.

Autor: Vinícius Sallet

Fonte: Rádio Fronteira Missões

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