Golpistas têm utilizado programas do governo federal e serviços públicos como isca para enganar usuários por meio de anúncios falsos nas redes sociais Facebook e Instagram. A prática foi identificada em um levantamento realizado pelo NetLab, Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo o estudo, entre janeiro e março de 2026 foram identificados 860 anúncios fraudulentos publicados por 152 páginas nas plataformas da Meta. As publicações utilizavam nomes e imagens de programas oficiais para atrair vítimas e aplicar golpes.
A coordenadora-geral de pesquisa do NetLab, Débora Salles, afirma que o número representa apenas uma pequena parcela de um problema muito maior. Conforme ela, existe uma estrutura organizada dedicada à produção e divulgação desse tipo de fraude, formando uma verdadeira "indústria da desinformação".
Ainda de acordo com a pesquisadora, um único anúncio pode alcançar milhares ou até milhões de pessoas, aumentando significativamente o número de potenciais vítimas. Ela destaca que a Meta não fornece informações detalhadas sobre o alcance dessas publicidades, o que dificulta mensurar a dimensão real do problema.
O programa mais explorado pelos criminosos foi o Valores a Receber, do Banco Central, citado em 345 anúncios fraudulentos. Na sequência aparecem o Brasil Sorridente, com 230 anúncios, o Minha Casa, Minha Vida (67), Auxílio Gás (62), Bolsa Família (31), CNH do Brasil (30), Carteira de Trabalho (29) e Desenrola Brasil (19).
O levantamento também mostrou que 26,3% dos anúncios utilizavam mais de um programa governamental ao mesmo tempo para aumentar a credibilidade da fraude e convencer os usuários a clicarem nos links.
Débora Salles explica que programas que envolvem pagamentos, benefícios financeiros ou serviços gratuitos costumam despertar maior interesse da população e, por isso, acabam sendo os principais alvos dos golpistas. O serviço Valores a Receber, por exemplo, possui grande alcance por poder beneficiar cidadãos de diferentes idades e condições socioeconômicas.
Como se proteger
Especialistas orientam que a população nunca informe dados pessoais, senhas ou códigos de verificação recebidos por SMS ou aplicativos de mensagens em links encontrados nas redes sociais. Antes de acessar qualquer serviço público, o ideal é utilizar exclusivamente os canais oficiais do governo, como o portal Gov.br ou os sites e aplicativos dos órgãos responsáveis.
Também é importante desconfiar de anúncios que prometem liberação rápida de benefícios, solicitem pagamentos antecipados ou direcionem para páginas com endereços eletrônicos diferentes dos oficiais.